25 January 2007

sussurrar

tristessa

Na Tunísia...





com a Andrea, o Bruno e a 'Boga fora de àgua'

1 gato Madeirense a coçar a pulguita ;-)

Horto de Incêndio, Al Berto


“vai até onde ninguém te possa falar ou reconhecer – vai por esse campo”

“fere o ar que te sufoca e não te mexas”

“escreves exactamente isto: o horror dos dias”

Mia Couto

Qualquer coisa/ Pergunta-me qualquer coisa/
Uma tolice/ um mistério indecifrável/
Simplesmente para que eu saiba
Que queres ainda saber/
Porque mesmo sem te responder/
Saibas o que te quero dizer.

De carro, pelo Norte, com o Ruizinho e a Rute



24 January 2007

Andrea e Bruno (o photshop faz cenas fixes)

Florbela Espanca

Eu e a Palrosita

era 1 vez 1 casamento onde tirámos 1's fotos





O meu amor tem lábios de silêncio/E mãos de bailarina/E voa como o vento/E abraça-me onde a solidão termina/O meu amor tem trinta mil cavalos/ A galopar no peito/E um sorriso só dela/ Que nasce quando a seu lado eu me deito/O meu amor ensinou-me a chegar /Sedento de ternura/Sarou as minhas feridas/ E pôs-me a salvo para além da loucura/O meu amor ensinou-me a partir/Nalguma noite triste/Mas antes, ensinou-me/A não esquecer que o meu amor existe.

20 January 2007

Bonnie & Clyde, dueto de Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot

Vous avez lu l'histoire/de Jesse James/ Comment il vecut/ Comment il est mort/ Ca vous a plus hein/Vous en d'mandez encore
Et bien/ Ecoutez l'histoire/ De Bonnie and Clyde/ Alors voila/ Clyde a une petite amie/ Elle est belle et son prenom/ C'est Bonnie
A eux deux ils forment/ Le gang Barrow/ Leurs noms Bonnie Parker et Clyde Barrow/
Bonnie and Clyde/ Bonnie and Clyde
Moi lorsque j'ai connu Clyde/ Autrefois/ C'etait un gars loyal/ Honnete et droit/ Il faut croire/ Que c'est la societe/
Qui m'a definitivement abime/
Bonnie and Clyde/ Bonnie and Clyde
Qu'est c' qu'on a pas ecrit/ Sur elle et moi/ On pretend que nous tuons/ De sang froid/ C'est pas drol'/ Mais on est bien oblige
De fair' tair'/ Celui qui s'met a gueuler
Bonnie and Clyde/ Bonnie and Clyde
Chaqu'fois qu'un polic'man/ Se fait buter/ Qu'un garage ou qu'un' banque/ Se fait braquer/ Pour la police/ Ca ne fait pas d'myster
C'est signe Clyde Barrow/ Bonnie Parker
Bonnie and Clyde/ Bonnie and Clyde
Maint'nant chaq'fois/ Qu'on essaie d'se ranger/ De s'installer tranquill's/ Dans un meuble/ Dans les trois jours/ Voila le tac tac tac
Des mitraillett's/ Qui revienn't a l'attaque/
Bonnie and Clyde/Bonnie and Clyde
Un de ces quatre/ Nous tomberons ensemble/ Moi j'm'en fous/ C'est pour Bonnie que je tremble/ Qu'elle importanc'
Qu'ils me fassent la peau/ Moi Bonnie/ Je tremble pourClyde Barrow
Bonnie and Clyde/ Bonnie and Clyde
D'tout' facon/ Ils n'pouvaient plus s'en sortir/ La seule solution/ C'etait mourir/ Mais plus d'un les a suivis/ En enfer
Quand sont morts/ Barrow et Bonnie Parker
Bonnie and Clyde/ Bonnie and Clyde

love will tear us apart by Joy Division

When routine bites hard, and ambitions are low
And resentment rides high, but emotions won't grow
And we're changing our ways, taking different roads
Then love, love will tear us apart
again --

Why is the bedroom so cold?
You've turned away on your side
Is my timing that flawed -
our respect run so dry?
Yet there's still this appeal
that we've kept through our lives
Love, love will tear us apart
again --

You cry out in your sleep -
all my failings expose
There's a taste in my mouth,
as desperation takes hold
Just that something so good
just can't function no more
When love, love will tear us apart
again --

the cure

Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am home again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am whole again

EnCaNtAdOrAmEnTe Scarlett





a foto da foto na moldura


Eu, a Palrosita e a Rita em Paredes de Coura em Agosto de 2000

artesanato urbano

18 January 2007

faltava o Zé (stressado) Manuel

Todas as cartas de amor são ridículas by Álvaro de Campos

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

1 beijo especial p/ a Sónia e p/ a pequena Francisca

a tripé a correr em warp speed

Eu

outra vez o Gil...

16 January 2007

'Allo 'Allo!

'Leesen verrry carefully, I weel zay zis only once...'

This Modern Love, by Bloc Party

To be lost in the forest To be cut adrift You've been trying to reach me You bought me a book To be lost in the forest To be cut adrift I've been paid I've been paid Don't get offended If I seem absent minded Just keep telling me facts And keep making me smile Don't get offended If I seem absent minded I get tongue-tied Baby, you've got to be more discerning I've never known what's good for me I will be yours I'll pay for you anytime You told me you wanted to eat up my sadness Well jump on, enjoy, you can gorge away You told me you wanted to eat up my sadness Jump right on Baby, you've got to be more discerning I've never known what's good for me Baby, you've got to be more demanding I will be yours What are you holding out for? What's always in the way? Why so damn absent-minded? Why so scared of romance? This modern love breaks me This modern love wastes me Do you wanna come over and kill some time? Tell me facts, tell me facts, tell me facts Tell me facts Throw your arms around me

WANTED!! ... for looking pale but happy


migos, não levem a mal :-), não resisti.
'olha a bela da foto p/ o site da Luxor'

29 December 2006

à tua espera...

exercício

É apenas um exercício de memória
Querer lembrar-te
e fixar a tua imagem
num pequeno lugar
no espaço

Tentar recordar o teu perfil
a cor da tua pele
e a maneira de sorrir

Fixei apenas as tuas mãos,
o suave toque que anseio
O entrelaçar dos nossos
dedos

Ao virar de uma
esquina sinto o teu cheiro
Ficou perdido no ar
à minha espera.

Uma ausência em
confronto permanente
dentro de mim.

tudo o que interessa no mundo em papel marroquino


“Adoro as tuas cartas. Não tanto de as ler; mais de as receber. Adoro abrir a minha caixa de correio e ver o teu envelope no meio de outros vinte com contas para pagar. Adoro-te a ti. Conhecemo-nos faz hoje um ano, Verão de São Martinho a comer castanhas à volta de uma fogueira num acampamento. Parecia uma cena de um filme romântico foleiro, tu com uns amigos, eu apenas a passar em direcção à minha tenda. Ainda me lembro da tua voz, da sensação que me causou no corpo todo aquela voz a chamar-me, ia eu entretido com um cigarro acabado de enrolar (a minha diversão da altura, lembras-te?). Apresentar-me, sentar-me, concentrar-me nas caras do grupo, confesso que a minha atenção se virou, nos primeiros minutos apenas, para uma das tuas amigas, sentada à minha frente. Hoje nem do seu nome me lembro. Rapidamente, porém, os meus sentidos, especialmente a audição (a tua voz de mel) e o olfacto (o cheiro suave da tua pele) me guiaram a ti, a rapariga que reparara no meu ar triste (segundo contaste mais tarde) e me chamara para passar a noite com vocês. Muitos dos que nesse grupo se inseriam, não os voltei a ver, no entanto, para além de ti (claro!), um ou dois permaneceram na minha memória e passei a dar-me com eles. O melhor exemplo? O Zé, obviamente. Hoje em dia, como sabes, é o meu melhor amigo, mais uma coisa te devo...Lembro-me de que nessa noite nos divertimos como nunca; aproveitei para sair um pouco da minha má vontade de nascença, tu ajudaste-me, é certo; cantei músicas foleiras, dancei atrapalhadamente, ri de anedotas sem piada, contei histórias sem interesse só para manter o ambiente vivo, até que a maioria começou a adormecer, principalmente quando a cerveja se esgotou juntamente com as pilhas de um rádio com cassetes que para lá andava, e tu me pegaste na mão e me levaste. Andámos imenso, o cansaço parecia não nos atingir, perdemo-nos numa floresta e, sem explicação aparente, amámo-nos.
Já lá vão trezentos e sessenta e seis dias. Neste primeiro ano muito se passou. Muitos nos abandonaram: zangas, acidentes, mortes, lágrimas artificiais em alguns casos (...) Poucos sobreviveram: a viagem, confesso, não foi das mais fáceis, por vezes cheguei a ter medo, no entanto nunca abandonei o barco. Mais importante ainda, tu também não, permaneceste ao meu lado e ajudaste-me a não desistir. Mais uma coisa te devo...são tantas que já lhe perdi a conta. Garanto que te hei-de recompensar, e não apenas com um simples “obrigado”. Pensarei em algo que te surpreenda e obrigue a ficar a meu lado. Porque, no fundo, é só isso que eu pretendo: que fiques a meu lado. (...) Já te quis matar, e tu a mim, ambos já o confessámos, o tentámos até, porém voltámos atrás e ainda bem.(...) Adoro “picar-te”, provocar-te ao máximo para ver os teus limites. Dessa vez, atingiste mesmo o limite quando recitaste o meu poema preferido todo de cor em jeito de declaração de amor para me convenceres, e depois de não resultar subiste para o parapeito e agarraste-te a mim a dizer que morrerias comigo se fosse preciso. (...) Aconcheguei-me no teu colo e nesse dia maravilhoso fui eu a chorar, consciente ou inconscientemente, tanto faz. Nesse fim de tarde, tirámos fotografias um ao outro na praia que se encontra mesmo ao pé da tua casa.
Passou um ano. Por enquanto, não é altura de festejar, partiste faz hoje uma semana e só chegas daqui a dois dias. África, Marrocos (...) onde o cheiro da miséria se mistura com o aroma das especiarias, crianças, velhos, gritos (...) Nunca soubeste explicar porquê, mas sempre adoraste essa terra e sei que um dia vais abandonar esta cidade (...) Estou disposto a acompanhar-te (...) estou disposto a arriscar e partir contigo para que me mostres os verdadeiros segredos desse local maravilhoso. (...) Passado este ano, conheço-te melhor que ninguém, tu própria o dizes. Conheço cada centímetro do teu corpo e da tua mente. Conheço as tuas manias, os teus tiques, as frases, as ideias, as tuas disposições e, mesmo assim, através da tua arte surpreender-me a cada minuto que passa. O que, no fundo, mostra, que darmo-nos melhor seria impossível, pois o que há de mais fascinante que a surpresa, a novidade quando pensamos ter tudo sob controlo?
Passou um ano, não estás cá para festejar.
Eu sabia que não te esquecerias, o que eu não sabia é que ficaria tão emocionado com o facto de te lembrares.
Adoro as tuas cartas. Não tanto de lê-las, mais recebê-las. Ver o teu envelope no meio de outros vinte com contas para pagar. Esta última, que recebi hoje e acabei de reler há minutos foi diferente: adorei recebê-la, mas ainda mais lê-la. No meio de uma folha de papel ordinário marroquino (que tem um toque extremamente agradável), escrita com a tua caneta de tinta permanente, apenas uma palavra, somente uma palavra utilizaste tu para me mostrar que não te esqueceras apesar da distância a que te encontras. Com a tua angelical caligrafia e o cheiro das tuas mãos ainda envolvendo o papel, apenas e só a palavra “amo-te”.
Eu sabia que não te esquecerias.”

In Deus Morreu E Eu Não Fui Ao Funeral, João Rosas

Pedro Paixão Remix

Sinto invadir-me uma melancolia de outros tempos em que acreditar era mais fácil. O sofrimento pode ter sentido, transforma-nos por dentro. O mundo todo é um mal-entendido que aguardamos que se resolva ou estoire e enquanto nada acontece sofremos. Agarramo-nos a coisas que se nos escapam entre os dedos. Uma pessoa não pode viver a vida de outra. Sinto o peito oprimido por uma dor antiga que sei não irá passar. Acordas numa manhã igual a todas as outras com a certa certeza de ela não te amar e sabes bem que o amor não se repete. Que persistes na vida dela como uma espécie tolerada que insiste em continuar por ali, alguma coisa que ainda dá sinais de vida e já vai morto, erva arrancada ao caminho, que para algumas coisas ainda serve. Não te encontrei por acaso. Foi mesmo preciso, uma necessidade da vida, do mundo, não minha. E agora dói tanto continuar a rever-te. Repito para dentro de mim que o passado não existe. Uma fraca estratégia para enganar o futuro. Tu achavas-me muito esquisito. É que não precisávamos de nos ver para cairmos juntos no amor. Vermo-nos só trouxe complicações. Nós não sabíamos nada, era isso, nem tu nem eu, apesar da confiança com que olhávamos as nossas vidas. A música são lágrimas, escreveu alguém. Tive de continuar a representar vários papéis ao mesmo tempo e quando me olhava ao espelho era uma máscara que via a olhar-me, a interrogar-me sem que soubesse porquê. Os silêncios tornavam-se difíceis, todas as pausas eram um risco de depois não saber continuar, não ter por onde. Imaginava o teu corpo a mover-se noutra cidade, a atravessar uma rua, a apanhar um táxi, a meter-se num cinema, próximo de outros corpos de quem eu tentava imaginar a face e não via. Só queria ficar mais tempo nesse tempo em que ainda sabíamos tão pouco um do outro. Tenho tanto medo de te encontrar que mesmo nunca te encontrando estás mais presente que todos os que vejo girar à minha volta. O que os dias trazem, um diário de tédio. Pouco a pouco vais-me expulsando da tua vida. Com avanços e recuos, é um trabalho árduo. É tão difícil concentrar-me, impedir que os pensamentos corram sem direcção nem sentido, me surpreendam em insinuações tão dolorosas. Como tudo o que fizemos de um modo tão leve, tão descuidado, se transforma agora no chumbo que pesa sobre a minha vida e a vai afundando. De vez em quando tornava-se urgente dizer um ao outro que gostávamos muito um do outro. Não sei porquê. Vivíamos de amores emprestados. Eu sabia que as coisas não podiam voltar atrás, que nada acontece duas vezes. Não foi de repente que tudo mudou, que fiquei aflita, nesta aflição em que sufoco. Tu não eras quem eu esperava que fosses. Estamos sempre a imaginar isto e aquilo e sempre a confundir isso com o que está para vir e vem de outra maneira. E de repente tudo se desfaz. Sou facilmente magoada. Sou facilmente usada. Deixo-me usar. Contigo ainda foi pior. Porque tudo parecia ser como não era. E o tempo nunca mais acaba de passar, enquanto minuto a minuto todos os relógios avançam. Lembrava-me só de uma frase que voltava sem que eu a quisesse lembrar. “És a pior coisa que me podia ter acontecido.” Desculpe o desabafo. E não é metade do que sinto. Obrigada. Se não fosses tu não valia a pena. Se não fosses tu não havia o mar. Tu vais e eu espero que regresses só o tempo necessário em que morro num soluço. Percebi por fim o que já sabia. Trazia uma quantidade de água a rebentar por detrás dos olhos, é verdade, mas só eu julgava sabê-lo. Já não estava a aguentar, estava a deixar-me ir. Tudo tão perto e tão longe. De repente o vazio. No momento preciso em que não se estava à espera. O vazio. Sabes como é, claro. Quando se perde a direcção e o sentido e o tempo é uma muralha levantada à nossa frente. ...há momentos em que um beijo escrito vale por muitos. Foges. Mergulhas a cabeça na água que corre, na esperança que a porta entreaberta por fim se abra e de beijos te sufoquem. Fecho os olhos, como se já não estivessem fechados, e o que está dentro de mim é uma ânsia. Nunca saberemos o que nos une. Nem o que nos separa. Foi sempre assim. O que nos prende é o imprevisível. O que nos guarda é a fragilidade. Foi tão doce acabar contigo. Quiseram-me e deixaram de me querer.

13 December 2006

PELA LIBERDADE DOS PERUS E EXTINÇÃO DO BACALHAU, PELA DIGNIDADE DAS RENAS E EXPLORAÇÃO DOS DUENDES, PELOS GORROS DO PAI NATAL QUE JÁ NINGUÉM AGUENTA, FAÇO VOTOS DE UM NATAL LIGEIRAMENTE DIFERENTE, CHEIO DE BROAS E FILHOSES E DE UM 2007, CHEIO DE NOVIDADES PROMISSORAS.
BJS A TODOS

8 November 2006

my angel Gabriel


i can fly/but I want his wings/i can shine even in the darkness/but I crave the light that he brings/revel in the songs that he sings/my angel gabriel/i can love/but I need his heart/i am strong even on my own/but from him I never want to part/he's been there since the very start/my angel gabriel/my angel gabriel

entra...


e põe-te à vontade

o que se quer


O QUE SE QUER

“Querer alguém, ou alguma coisa, é muito fácil. Mesmo assim, olhar e sentirmo-nos querer, sem pensar no que estamos a fazer, é uma coisa mais bonita do que se diz. Antes de vermos a pessoa, ou a coisa, não sabíamos que estávamos tão insatisfeitos. Porque não estávamos. Mas, de repente, vemo-la e assalta-nos a falta enorme que ela nos faz. Para não falar naquela que nos fez e para sempre há-de fazer. Como foi possível viver sem ela? Foi uma obscenidade. Querer é descobrir faltas secretas, ou inventá-las na magia do momento. Não há surpresa maior.
O que é bonito no querer é sentirmo-nos subitamente incompletos sem a coisa que queremos. Quanto mais bela ela nos parece, mais feios nos sentimos. Parte da força da nossa vontade vem da força com que se sente que ela nunca poderia querer-nos como nós a queremos. QUERER É SEMPRE A HUMILHAÇÃO SUBLIME DE QUEM QUER. Por que razão não nos sentimos inteiros quando queremos? É porque a outra pessoa, sem querer, levou a parte melhor que havia em nós, aquela que nos faz mais falta. É a parte de nós que olha por nós e que nos reconcilia connosco. Quanto mais queremos uma pessoa, menos nos queremos a nós...
Querer é mais forte que desejar, pelo menos na nossa língua. Querer é querer ter, é ter de ter. Querer tem mesmo de ser. (...)Desejar tem menos. É condicional. Quem deseja, desejaria. Quem deseja, gostaria. (...)Querer é querer ter e guardar, é uma vontade de propriedade; enquanto desejar é querer conhecer e gozar, é uma vontade de posse. O querer diminui-nos, mas o desejar não. Sabemos que somos completos quando desejamos - desejamos alguém de igual para igual. Quando queremos é diferente - queremos alguém com a inferioridade de quem se sente incapacitado diante de quem parece omnipotente. O desejo é democrático, mas o querer é fascista.
O que desejamos, dava-nos jeito; o que queremos fez-nos mesmo falta. Mas tanto desejar como querer são muito fáceis. (...) Há qualquer coisa que se passa entre o momento em que se quer e o momento que se tem. O que é?
«Cada pessoa, - dizia Oscar Wilde, - acaba por matar a coisa que ama». Mata-a, se calhar, quando sente que a tem completamente. Faz o que faz o caçador com a caça. (...) A verdade, triste, é que uma pessoa completa, a quem não falta nada, não é capaz de querer outra pessoa como deve ser. No momento em que se sente que tem o que quer, foi-lhe devolvida a parte que lhe fazia falta e passou a ter tudo em casa outra vez. É feliz, está satisfeita e deixou de ser inferior à sua maior necessidade. O ter destrói aquilo que o querer tinha de bonito. Uma necessidade ocupa mais o coração, durante mais tempo, que uma satisfação. Querer concentra a alma no que se quer, mas ter distrai-a. (...) É bom que se continue a julgar que aquilo de que se precisa é exterior a nós. (...) Quando se quer realmente, dar-se-ia tudo por ter. (...) É esta a violência. É esta a injustiça. Mas é esta também a beleza. (...) Ter o que se quis não é tão bom como se diz, nem querer o que se tem é assim tão mau. O segredo deve estar em conseguir continuar a querer, não deixando de Ter. Ou, por outras palavras, o melhor é continuar a ser querido sem por isso deixar de ter tido. O que é que todos nós queremos, no fundo dos fundos? Queremos querer. Queremos Ter. Queremos ser queridos. Queremos ser tidos. É o que nos vale: afinal queremos exactamente o que os outros querem. O problema é esse.”

Miguel Esteves Cardoso, in Os Meus Problemas

In My Secret Life (Leonard Cohen)

I saw you this morning/You were moving so fast/Can't seem to loosen my grip/On the past/And I miss you so much/There's no one in sight/And we're still making love/In My Secret Life/I smile when I'm angry/I cheat and I lie/I do what I have to do/To get by/But I know what is wrong/And I know what is right/And I'd die for the truth/In My Secret Life/Hold on, hold on, my brother/My sister, hold on tight/I finally got my orders/I'll be marching through the morning/Marching through the night/Moving cross the borders/Of My Secret Life/Looked through the paper/Makes you want to cry/Nobody cares if the people/Live or die/And the dealer wants you thinking/That it's either black or white/Thank G-d it's not that simple/In My Secret Life/I bite my lip/I buy what I'm told:From the latest hit/To the wisdom of old/But I'm always alone/And my heart is like ice/And it's crowded and cold/In My Secret Life.

poeta urbano/trovador errante

Boletim Meteorológico
Eu tenho um certo gozo em ver-te contente

Já sei que o meu sentimento é banal
Mas nem por isso o que eu digo
A meu ver é menos importante
Às vezes apetece-me oferecer-te um presente

Mas nem sempre calha
E quando calha é quase sempre
Aparentemente insignificante
Por exemplo gostava de te dar uma paisagem

Com camelos e mar ao fundo
Maravilhosa e serena
Tranquilamente estimulante
Mas como pintor sou um desastre
E como economista ainda mais decepcionante
Mesmo assim eu insisto em fazer parte

Do teu mundo
O boletim meteorológico anunciou calor

Não vou duvidar
Faz sentido no meu sistema solar
Imagina que eu sou um ilusionista

Que arranca coisas do chão, do chapéu, do coração

Talvez assim vejas em mim um homem novo
Todo elegante
O que na verdade sou e a verdade

Pode ser elevada à coisa sonhada
Reinventada por muito se querer
E eu quero ser o teu amante
Desta vez vou construir uma cama de espuma

Adequada à função de voar
Com limpa-pára-nuvens
Mesmo à altura do teu olhar
Se for preciso um pára-quedas arranjamos

Uns milagres em bom estado prontos a usar
Se achares que não valeu a pena, aí lamento
Mas não posso mesmo concordar
O boletim meteorológico anunciou calor
Não vou duvidar
Faz sentido no meu sistema solar
Faz sentido no meu sistema solar


http://www.jorgepalma.web.pt/

2 November 2006

a anestesia


da espera. tic...tac...tic...tac...

31 October 2006

Fui ver... e gostei.

A banda sonora é excelente e dá ao filme uma visão mt alternativa.
...a Kirsten Dunst está simplesmente deslumbrante.

26 October 2006

Joan as Police Woman - Album Real Life














I DEFY
i defy! i love your way
how could it be different?
i defy! i love your way
well how could it be different?
ooh, now i'm kissing the real you
now i'm kissing the real you
will i get through my dark day
did you hear me? did you hear me?
ooh oh ooh oh ooh oh ooh oh
how could it be different?
i see the stars around your face
they never seem to hurt at all
the stars around your face
they never seem to hurt at all
ooh, now i'm missing the real you
now i'm missing the real you
well i got through my dark day?
did you fear me?
did you fear for me?
ooh oh ooh oh ooh oh ooh oh
how could it be different?
don't want to see my baby fall
it's the dawn i feel
becoming ever after this is my matter,
dear i defy!
i love your way well,
how could it be different?
i defy!
i love your way

how could it be different?
well i got to know you today
and i adore you i adore you
ooh now i'm loving you how
could it be different?
ooh
now i'm loving you

how could it be different?

O Livro das Ilusões - Paul Auster (posted by H)

Paul Auster é dos nomes da literatura americana actual mais conhecidos em Portugal. The Book of Illusions (tradução portuguesa O Livro das Ilusões), publicado em 2002, é um romance com contornos de suspense de qualidade inegável. No livro é dado especial enfoque a um outro mundo, a que Auster não é propriamente alheio – o cinema – daí que a obra seja de interesse acrescido para os amantes da 7ª Arte.
O Livro das Ilusões recordou-me o muito criticado filme português Manô de George Felner, estreado o ano passado. Apesar de serem obras de géneros e nacionalidades diferentes, logo pouco passíveis de serem comparadas, ambas confluem num ponto: têm como temática central o mundo mal conhecido e muitas vezes misterioso dos heróis do cinema mudo.
Em The Book of Illusions encontramos como narrador David Zimmer, um académico que perdeu a família e todo o ânimo para viver. Inesperadamente, encontra uma tábua de salvação ao investigar os filmes e Hector Mann, considerado o último grande mestre do slapstick mudo. Zimmer percorre vários países para poder ver toda a filmografia de Mann, distribuída pelos principais arquivos cinematográficos do mundo. Pelo meio vai conhecendo fragmentos da vida do misterioso homem, que desaparecera seis décadas antes sem deixar qualquer pista sobre o seu paradeiro. Todavia, uma estranha carta chega à casa de David. Ela diz que Hector Mann está vivo e deseja conhecê-lo. Mas… como é possível?
Esta pequena sinopse é apenas um ponto de partida para uma narrativa empolgante, especialmente na sua parte final. Auster é particularmente admirável nas descrições que faz de filmes, filmes que na verdade teceu na sua cabeça pois trata-se de um livro puramente ficcional, sem qualquer base verídica. A dada altura sucede algo semelhante ao caso de Umberto Eco que na sua obra mais célebre, O Nome da Rosa, deixava o espectador imerso na dúvida se o que relatava tinha de facto acontecido. Assim, não é difícil ao leitor se sentir dentro da própria acção, seja nos seus momentos mais entusiasmantes ou mais plenos de angústia. Um livro a descobrir por todos quanto apreciem um bom livro, uma boa história, personagens inesquecíveis ou o mundo fascinante do Cinema.

"That tiny ant and his atomic powers has what it takes and always makes the vilest villain cower."

Eu...

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,
e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca

3 October 2006

ando com este livro no bolso...



Os Anões é o único romance que Harold Pinter escreveu durante a sua longa e notável carreira, coroada em 2005 com a atribuição do Prémio Nobel de Literatura. Originalmente concluído em começos da década de 1950, depois revisto em 1989, o livro descreve as vidas e preocupações de quatro jovens londrinos na Inglaterra do pós-guerra.Através da evolução, tumultuosa e destrutiva da sua amizade, Pinter explora o modo como as vidas comuns são moldadas pelas limitações e fronteiras da sexualidade, da intimidade e da moralidade, ao mesmo tempo que põe a nu as profundas verdades existentes em acontecimentos aparentemente correntes.Divertido, vivo, e perturbante, Os Anões é um romance escrito num estilo brilhante por um escritor cuja imaginação marcou as nossas vidas e o nosso tempo.