7 August 2014


tenho medo de te perder. 
tenho medo de me perder, por ti.
Só a corda bamba te prende à vida.
- Mas dói. Mas treme.
- E no entanto segura-te. E no entanto agarra-te. Faz-te querer mais daquilo, para sempre daquilo. Só o que te escorrega por entre os dedos te prova verdadeiramente que tens dedos. Só quando estás perante a quase morte valorizas a vida.
- Gostas de tremer?
- Preciso de tremer. Preciso de sentir a corda bamba, as pernas bambas, o corpo bambo. Só o que me tira de mim me alimenta. Um orgasmo faz-me tremer, uma euforia faz-me tremer.
- Uma dor também.
- Tenho de entender o que sou. Mesmo que doa. Só quem treme entende o que é. Os outros não são: vão sendo. E nunca tremem. Tenho uma pena tão grande de quem nunca tremeu. O que andam eles a fazer por aqui? Nada do que não me fez tremer foi inesquecível.
- A vida serve para viver momentos inesquecíveis.
- Nunca te esqueças disso. Só existe vida se algo em ti estiver bambo. Só o que te faz tremer te impede de esquecer.
- Faço-te tremer.
- Sempre.
- E quando parar?
- Teremos de encontrar outros caminhos. Outras formas.
- Outras pessoas?
- Se tiver de ser. As pessoas servem para te manter alerta, para te manter atento, para te manter ligado. Quando uma pessoa que amas serve para te desligar já não é uma pessoa que devas amar. O amor tem de exigir vigilância máxima, tens de ser um soldado no campo de batalha, todo o teu corpo à espera de um ataque, de uma bala perdida. E se há algo em que o amor é imbatível é na quantidade de balas perdidas que liberta. Por vezes és atingido e nem percebes. E já não existe amor, só uma dor que se vai alargando no meio do teu peito, uma dor que te consome, que te dilacera, que te abate. Pensas ser amor e é apenas uma ferida. Há feridas que parecem amor.
- Uma distração e o amor acaba.
- Uma distração e a vida acaba.
- Foi o que eu disse.

in "Prometo Falhar", de Pedro Chagas Freitas.

25 July 2014

...


" What else? She is so beautiful. You don't get tired of looking at her. You never worry if she is smarter than you: You know she is. She is funny without ever being mean. I love her. I'm so lucky to lover her, Van Houten. You don't get to choose if you get hurt in this world, old man, but you do have some say in who hurts you. I like my choices. I hope she likes hers."

quote in The Fault in our Stars

22 July 2014

"And the day came when the risk to remain tight in a bud was more painful than the risk it took to blossom..." - Anais Nin
(sooner or later you're going to have to face those parts of you that you try to hide. you're going to want to love somebody. don't let your fear hold you hostage in your past. - robhillsr)

#2
Há uns anos atrás disseste-me uma coisa que nunca esqueci. Como sempre foste pouco declarativo, achei que estavas a fazer a maior declaração do mundo. Disseste: - "por ti, atravessava mais vezes a ponte."
Esta frase foi o melhor que me podias ter dito. Ecoou na minha memória até hoje e era ela que me fazia pensar que gostavas de mim.
Talvez me iludisse, mas acho que nunca quis saber se podia não significar muito. Para mim era tudo o que nunca dizias.
Era uma ingénua. Continuo a sê-lo. Está em mim querer ver as pessoas na sua melhor versão.
Mais tarde, disse-te eu: - "Nunca vou gostar de ninguém como gosto de ti".
Ainda hoje isso é verdade. Continuo deste lado para ti.

21 July 2014

Tipo

#1
o quero um Adeus. Tão pouco que deixes de "chatear-me". A única coisa que quero, é que gostes de mim. SIMPLES. Sem dúvidas. Sem terceiras pessoas. Sem jogos e meias palavras. Não estamos a medir forças, estamos a Gostar.
Quero que confies e te entregues. Que não tenhas medos. O que tiver de acontecer, acontece. Arrisca! O tempo, é agora.
Aceito-te. Aceita-me. Com problemas. Limitações. Fraquezas.
Não temos de ser cópias para gostar. Só temos de nos encontrar.
Depressa, estou à espera. Tenho saudades.

19 July 2014

De quantas mulheres precisas para saberes que sou eu?
in Prometo Falhar
PCF

6 July 2014

a subfelicidade

dos textos mais interessantes, inteligentes e absolutamente verdadeiros que li nos últimos tempos.
Por Pedro Chagas Freitas 

"O que mais dói não é – desengana-te – a infelicidade. A infelicidade dói. Magoa. Martiriza. É intensa; faz gritar, sofrer, saltar, chorar. Mas a infelicidade não é o que mais dói. A infelicidade é infeliz – mas não é o que mais dói. 
O que mais dói é a subfelicidade. A felicidade mais ou menos, a felicidade que não se faz felicidade, que fica sempre a meio de se ser. A quase felicidade. A subfelicidade não magoa – vai magoando; a subfelicidade não martiriza – vai martirizando. Não é intensa – mas é imensa; faz gritar, sofrer, saltar, chorar – mas em silêncio, em surdina, em anonimato. Como se não fosse. Mas é: a subfelicidade é. A subfelicidade faz-te ficar refém do que tens – mas nem assim te impede de te sentires apeado do que não tens e gostarias de ter. Do que está ali, sempre ali, sempre à mão de semear – e que, mesmo assim, nunca consegues tocar. A subfelicidade é o piso -1 da felicidade. E não há elevador algum que te leve a subir de piso. Tens de ser tu a pegar nas tuas perninhas e a subir as escadas. Anda daí.

 Sair da subfelicidade é um drama. Um pesadelo. Sair da subfelicidade é mais difícil do que sair da infelicidade. Para sair da infelicidade, toda a gente sabe – tu mesmo o sabes: tens de tomar medidas drásticas. Medidas radicais. Porque a infelicidade é, também ela, radical. Mas sair da subfelicidade é uma batalha interior muito mais dolorosa. Desde logo, porque não sabes se queres, mesmo, sair da subfelicidade. Porque é na subfelicidade que consegues ter a certeza de que evitas a desilusão – terás, no máximo, a subdesilusão; porque é na subfelicidade que consegues ter a certeza de que evitas a perda – terás, no máximo, a subperda. Estás a ficar perdido com o que te digo?

 A subfelicidade é o produto mais diabólico que a humanidade criou. A subfelicidade é resultado da mente, também ela diabólica, de quem tem consciência. Para um cão, para um gato, para um periquito, para um leão ou até para uma formiga, não existe a subfelicidade: a felicidade pacífica. Impossível: ou está feliz porque tem comida e bebida, ou está infeliz porque nada tem para comer ou nada tem para beber. Os animais, por mais cores que os olhos lhes dêem a ver, vêem o mundo a preto e branco . Ou é preto ou é branco. Ou é feliz ou infeliz. Ou é tudo ou é nada. O humano, esse, foi mais longe. E foi por isso que ficou, cada vez mais, refém do que está perto – do que está seguro. Formatado pela consciência, o homem assimilou um conceito que, na verdade, não existe: o da felicidade segura. Espero que estejas bem seguro nessa cadeira quando leres o que aí vem no próximo parágrafo.

A felicidade segura não existe. A felicidade segura é segura, sim – mas não é felicidade. A felicidade pacífica é pacífica, sim – mas não é felicidade. A felicidade, quando é felicidade, assolapa, euforiza, arrebata. E não deixa respirar, e não deixa sequer pensar. A felicidade, quando é felicidade, é só felicidade. E tudo o que existe, quando existe felicidade, é a felicidade. Só ela e tu. Ela em ti. Ela em todo o tu. A felicidade, para ser felicidade, não tem estratos, não tem razão. Ou é ou não é. A felicidade é animal, de facto – mas é ainda mais demencial. Deixa-te louco de felicidade, maluco de alegria, passado dos cornos. Só quando estás dentro da felicidade é que estás fora de ti. Liberto do corpo, da matéria, da sensação – e imerso naquela indizível comunhão. Tu e a felicidade. Já a sentiste, não?

Não há como dizer de outra maneira: se estás acomodado à subfelicidade, se tens medo de ser feliz e preferes a certeza de seres subfeliz: és um triste de todo o tamanho. A subfelicidade é uma tristeza. Uma tristeza de hábitos, de rotinas, de sorrisos – uma tristeza que inibe a surpresa, o imprevisível, a gargalhada. Uma tristeza que te faz refém do que fazes e te impede de te seres o que és. Olha em redor: a toda a volta há pessoas subfelizes, pessoas que dizem “vai-se andando”, pessoas que dizem “tem de ser”, pessoas que dizem “eu até gosto dele”, pessoas que dizem “sou feliz” com os olhos cheios de “queria ser feliz”,  pessoas que dizem “é a vida”. Mas não é. A vida não é a quase felicidade. A vida não é a subfelicidade. E, se é a primeira vez que vês isso, fica entendido o que sentes. Ou subentendido, pelo menos. "

24 June 2014


 se tu viesses ver-me hoje à tardinha/ A essa hora dos mágicos cansaços, 
 Quando a noite de manso se avizinha/E me prendesses toda nos teus braços... 

Quando me lembra: esse sabor que tinha /A tua boca... o eco dos teus passos... 
O teu riso de fonte... os teus abraços... /Os teus beijos... a tua mão na minha... 

Se tu viesses quando, linda e louca,/Traça as linhas dulcíssimas dum beijo 
E é de seda vermelha e canta e ri 

E é como um cravo ao sol a minha boca... /Quando os olhos se me cerram de desejo... 
E os meus braços se estendem para ti... 

17 June 2014


Gosto de ti, e então?
by Rita Leston

#1
Pergunta clara e objectiva: alguma vez paras e pensas que sentes a minha falta? Que tens saudades minhas? Que me queres aí? Ou que te querias aqui?
Pensas? Sonhas? Pensas(-me)? Sonhas(-nos)? 

#2
Farta de segurar o mundo dos outros e deixar o meu cair.
Farta de dar de mim. De me dar a mim. Farta de dar sem esperar em troca. Farta de acharem que eu tudo aguento. Farta de medir palavras para não magoar ninguém. Farta de ter cuidados com os outros. Farta que se esqueçam que, também eu, preciso que tomem conta de mim.

#3
Às vezes questiono-me se pensamos um no outro ao mesmo tempo. Se quando mais me recordo de ti, tu te estarás a lembrar de mim. Se quando sinto saudades, desse lado também sentes a minha falta. Se quando me assomas ao pensamento, eu estou a cruzar a tua mente. Se quando fecho os olhos e te vejo, tu me consegues olhar. Se quando te pressinto, tu me sentes.
Pergunto-me: alguma vez pensamos um no outro ao mesmo tempo?


#4
Temos um filtro no nosso cérebro que não nos deixa dizer aquilo que sentimos. Aquilo que no mais profundo da nossa mente ecoa. O que o coração cala mas sabe de cor.
Temos um filtro que nos faz guardar, seja por pudor, respeito ou medo, aquilo que nem a nós queremos confessar mas do qual temos todas as certezas. Por medo de não ser correspondido e nos colocarmos desprotegidos. Por respeito a quem gostaríamos de tanta coisa dizer. Por vergonha daquilo que é efectivamente a realidade. Por insegurança, por abnegação, por inércia, por medo de falhar. Por tudo e por nada.
Mas, e se esse filtro te abandonasse: o que me dirias?

16 June 2014

sobre...

os nossos 7 encontros & centenas de mensagens 

Adorei o nosso primeiro encontro que, depois de muita reticência, acedi em marcar.  Tive de me encher de coragem. Muita. Tinha medo. Afinal passou tanto tempo.
Nos momentos antes a nos vermos senti-me ansiosa e insegura sobre a forma como ias olhar para mim. 
O facto de te teres perdido, aquela chamada, ajudou a minimizar a expectativa quando fui obrigada a ir buscar-te ao Mac mais próximo. Desde o meu carro reconheci o teu sorriso que me encantava.
A seguir, disseste as coisas certas e foi como se estivéssemos estado sempre naquele registo.
A oferta da orquídea de três flores embrulhada em papel verde. (a última flor tentei salvar desesperadamente sem qualquer sucesso. continua ali o caule, que vou regando e mantendo para me recordar).
O almoço hi-tech do vinagre em spray e a novidade do cuscuz. O vinho e eu a sentir-me baralhada do efeito. Molenga, a tropeçar nas palavras. 
A ida junto ao rio contigo obcecado com o lugar de estacionamento do carro. Tiveste graça. O miradouro e as fotos de ocasião. A descida até lá baixo a pé e o calor a fazer-se sentir.
Já deitados na relva, fizeste-me aquela pergunta inopinada que me acertou em cheio na vergonha. Crua. Fiquei sem jeito. Se calhar já não há muitas como eu. Sou como sou.
Tu a cheirares o meu cabelo. Um beijo fugido. A música. Dizer parvoíces e falar de coisas sérias. A cadeira desconfortável do Atira-te ao Rio. Dois copos de vinho. A subida de mãos dadas. 
Nesse dia cheguei a casa com um passou-bem e o coração cheio. Foi tão simples e tão bom ao mesmo tempo. Mensagens.

O segundo e terceiro encontro foram meio às pressas, a tentar encaixar conversas. Valeram a pena, porque estávamos juntos. Os patos, a praia. Dissertações sobre portagens e hipotéticas multas. Mais mensagens. Tantas.

O quarto encontro premeditado pela urgência de uma conversa. 
O caminho aparvalhado até Cacilhas para comprar uma piza mafiosa al tonno  e beber 2 copos de vinho excessivamente caros. A paragem para tirar fotos da Lisnave. Risos. O jantar e a playlist no tablet. Dedões desajeitados! 
A saída nos bares vazios de Almada Velha com um shot doce escolhido por ti e umas caipirinhas no bar de karaoke. Sensações boas.
Depois, em casa, aquela conversa non-sense e pouco articulada sobre aquilo que nunca conseguimos dizer olhos nos olhos. Gosto de ti. E tu, gostas de mim?
Tipo cenas.

Quinto encontro novamente no parque. Admito que estava um pouco amuada contigo com o 'não me apetece' de última hora. Outra vez as pressas. Relutante, lá acedeste em ir ao sushi e gostaste. A conversa sobre mim.
Os cadeados abrem-se com a chave certa. Fala!! 
Mensagens banais durante a tarde para manter o contacto e depois o 'Vou desaparecer por uns tempos. Até um dia. Adeus'.
Caiu como um murro no estômago. Fiquei desconcertada. Incrédula. Mas depois voltaste. Disseste que tinhas sentido a minha falta. Eu senti a tua. Muito.

Sexto e sétimo encontro. Jantar, alguns copos de vinho, música e sensações boas.
A seguir, como sempre, muitas mensagens. Saudades. Vontade.
GMdT seu parvinho.

Brida

#1
Quando alguém encontra o seu caminho, não pode ter medo. Precisa de ter coragem suficiente para dar passos errados. As decepções, as derrotas, o desânimo são ferramentas que Deus utiliza para mostrar a estrada.

#2
Cada dia do homem é uma noite escura. Ninguém sabe o que vai acontecer no minuto seguinte e, mesmo assim, as pessoas andam para a frente. Porque confiam. Porque têm fé.

#3
Por isso, assim como nos dividimos, também nos reencontramos. E este reencontro chama-se Amor. Porque quando uma alma se divide, ela divide-se sempre numa parte masculina e numa parte feminina.

#4
E por causa do nosso egoísmo, seremos condenados ao pior suplicio que inventámos para nós mesmos: a solidão.

#5
Porque a palavra é o pensamento transformado em vibração;

#6
As emoções são cavalos selvagens.

#7
Nem mesmo na coisa mais importante da sua vida, o amor, tinha conseguido ir até ao fim; depois da primeira decepção, nunca mais se entregara por completo. Temia o sofrimento, a perda, a inevitável separação.

#8
Porque quando se apaixonava, era capaz de aprender tudo e conhecer coisas sobre as quais nem ousava pensar, porque o amor era a chave para a compreensão de todos os mistérios.

#9
Não procuramos. Aceitamos, e então a vida passa a ser muito mais intensa e brilhante, porque compreendemos que cada passo nosso, em muitos minutos da vida, tem um significado maior do que nós mesmos. (...) Entendemos que existe um motivo para estarmos aqui, e isso basta.

#10
Sujeitou-se a todas as humilhações a que as pessoas apaixonadas costumam sujeitar-se. Aprendera coisas que nunca sonhara aprender, através do amor: a espera, o medo e a aceitação.

#11
Quanta coisa perdi por medo de perder. 

#12
(...) quando encontrares uma coisa importante na vida, isso não quer dizer que precises de renunciar a todas as outras.

#13
(...) e as coisas simples parecem sempre complicadas demais.

#14
Ou aceitar uma existência cercada de desilusão e dor, ou compreender que toda a gente nasce para ser feliz.

13 June 2014


                                      Baby you should know by now that I'm right ... for you
                        but every time I step to you, you change your... tune

8 June 2014


apetecia-me um filme, um copo de vinho e tu. 
se eu te convidar, tu aceitas?

5 June 2014

Eu não sou como toda a gente: entusiasmada até à loucura no principio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinteressada delas. Eu sou ao contrário: o tempo passa e a afeição vai crescendo, morrendo apenas quando a ingratidão e a maldade a fizerem morrer.

Florbela Espanca